“SABER/FAZER/TER” – QUÊ?

Na vitrola –  “Maybe Tomorrow” Stereophonics

Quando voltei a postar neste humilde blog, juro que a intenção era escrever sobre o que penso do mundo, não de mim. Eu já fiz isso tantas vezes que hoje reconheço ter pecado pelo excesso em tanta exposição emocional – e literária. Contudo, entretanto, todavia… é, farei exatamente isso neste post pelos motivos que se seguem – e não necessariamente em ordem de relevância.

– O que vou escrever pode ser útil pra outras pessoas;
– O post valoriza a minha linha de pensamento;
– Porque eu quero, ué.

Beleza, mea culpa feita, seguirei meu baile.

Por esses dias eu me senti muito de saco cheio de tudo, de pessoas a lugares; De situações a condições; De opções a conduções. E esse grau de descontentamento foi tão gritante que eu me tornei a criatura mais indolente e procrastinadora que eu poderia ser, sem culpa alguma, menos ainda reflexão. Bom, ao chorar minhas pitangas pra única pessoa que consegue me entreter de alguma forma 90% agradável – e adorável,  eu até que senti certo conforto, alívio. Bateu aquele estalo traiçoeiro de “Opa! Não tô maluca e não é exclusividade minha tal insatisfação geral. Menos Mal”. E traiçoeiro por quê? Porque é nele que mora o perigo.

Saber que alguém vê (ou passa pelas) as mesmas coisas que você vai ajudar, não solucionar.
(E a gente, erroneamente, sempre acredita que ajuda e conforto nos libertam de qualquer demônio cotidiano)

547147_455379834493952_687404036_n
Tamo junto, mano Logan

Independente da constatação acima, depois de superar temporariamente a fase “Ó vida, ó azar”, parti para o que realmente interessa nessa vida de merda: solução. E o que meu cérebro ofereceu? Só ideia de bosta, claro.

– Se pagar 75% de imposto numa casquinha que me tira do bolso R$2,00 me revolta tanto, então morar no exterior é a solução;
– Se eu estou desmotivada na vida pós-faculdade, então me entupir de atividades legais e fofas é a solução;
– Se eu, definitivamente, não gosto do meu bairro, então a solução é morar num “meia-água”, comer comida congelada e andar toda amarrotada por aí;
– Se eu ando tão ansiosa e agoniada, então a solução é encher o bucho de porcarias industriais ;
– Se a insônia está me roendo os ossos, então a solução é assistir um filminho maravilhoso 3am;
– Se tem trabalho até 2056, então a solução é praticar o bom e velho home-office;
– Se … (ah, isso eu vou deixar em off porque não cabe no poema expor).

Como disse, só ideia bosta.
“Mas, pera: Marcele, não são ideias tão bostas assim. Para de exagerar, criatura!”
São sim, filhão. E vou dizer o porquê (e daqui pra frente vem a primeira parte que acredito servir pra quem vai ler isso)

Após uma senhora semana caótica e confusa, absolutamente do nada o esclarecimento e o bom senso deram o ar da graça e eu cheguei à seguinte conclusão: POUCO IMPORTA

– se na Suíça eu seria mais feliz porque lá tem menos impostos,
– se fazer dança, academia, auto-escola, pós-graduação e curso de massoterapia manterá minha mente e meu corpo mais ativos,
– se, na semana que vem, meu chefe aumentou meu salário e me mudarei pra Botafogo, de frente pra Enseada,
– se comer é condição humana e que se dane eu vou comer muito mesmo,
– se eu tô indo dormir 23h e sem horário de verão em vigor,
– se o home-office é meu pastor e nada me faltará;
– se  (continua não cabendo no poema explicitar essa parte da confusão mental).

Pouco importa porque o problema não está no imposto, na indolência e preguiça, no bolso, no bairro, na gordice, na insônia, no jeito workaholic de ser e na paradinha que não quero explicitar. O problema está unica e exclusivamente em MIM, e eu vou continuar nessa bagaça de vibe ruim e insatisfeita em qualquer lugar do mundo, sob qualquer condição, exercendo qualquer tarefa porque o ato de reclamar me impede de agir e trabalhar com a realidade que tenho, não com aquela que eu quero.

E o que eu quero, Mário Alberto?

Pois é, aí é que tá. Eu não sei. Atualmente, a única coisa que me remete a alguma certeza não tá certa – sad but true, além de confuso demais. O que percebo (e aí vem outra parte pertinente pra quem lê) é que nos sabotamos o tempo inteiro. Procuramos desculpas pra tudo, poréns pra tudo, razões pra tudo. Vai ver que não existe nenhuma razão realmente aparente pra tanto incômodo geral da minha parte – o que é pouco provável. Ou vai ver é só uma fase e há de passar; Ou então eu tô sendo completamente imbecil e perdendo a oportunidade de repensar numa série de coisas que surtirão considerável efeito futuro só porque estou preocupada com… o futuro.

É muita redundância pra uma pessoa só, Brasil!
(E pensar nisso tudo não me levará a lugar nenhum, já sei)

Como eu fiquei com a última opção, digo que não é fácil se admitir trouxa e ignorante, mas necessário. Parênteses : quanto mais a gente se enxerga capaz de algo, menos potencializamos nossas energias naquilo. A gente não se dedica, só executa –  e a cobrança interna é aterrorizante. Agora, vá e faça algo que nunca imaginou fazer. É um outro tipo de tesão. É outra sensação. É Copa do Mundo com mata-mata. É lindo! É TETRA!

Disseram-me verdades nesta sexta-feira que impactaram meu id, ego e  superego. Não doeu mas machucou. Criou aquela casquinha, sabe? E o desafio daqui pra frente é deixar a casca cumprir seu papel e se segurar pra não arrancá-la antes da hora.
(lá vem o terceiro, derradeiro e último conselho neste post – e o melhor, de longe)

“Saber esperar e saber agir” é a ordem, porém não é maior que:
“Aprenda para saber, não só para ter.”

Parênteses: o petardo filosófico acima foi dito pela minha maravilhosa cabeleireira e amiga, Verônica, a quem devo muitos lampejos de inteligência e racionalidade nos últimos anos.

Não vou mentir e dizer que estou me sentindo tal qual uma libélula saltitante e que tudo melhorou após a reflexão porque, é claro, ainda me sinto muito de saco cheio. A diferença é que, no saco, tem o descontentamento, a inconstância e a preocupação (e sempre vai ter), mas também tem um bom punhado de astúcia pra me aproveitar do que eu tenho e esquecer (pelo menos até que eu perca o controle mental novamente) do que eu não tenho, AINDA.

Solidão em troca de política? Dispenso.

É sempre assim: chega o período eleitoral e junto com ele aquela vontade absurda de convencer todas as pessoas do mundo a pensarem como você. Ou, pelo menos, a entenderem suas escolhas. Não é um tanto quanto pretensioso demais? Bom, me parece que sim. E não digo isso pela questão partidária da coisa e menos ainda por apreciar o já famoso “ficar em cima do muro”, digo pelo simples fato de que perdemos tempo, energias e até o bom humor numa dessas. Amizades são desfeitas, opiniões são desrespeitadas. E tudo isso por causa de política? E tudo isso pra que a sua ideia do que é correto prevaleça? Pare, respire fundo e pense: Será que você sabe mesmo o que faz sentido na política? Será que medir amizades pelo pensamento político do seu coleguinha é coerente com aquilo que o tal do “ser amigo” deve significar?

Pois é, enquanto você pensa aí eu seguirei com meu texto. Ok?

Eu concordo em gênero, número e grau que política é um tema recorrente e de extrema relevância na nossa sociedade, viver em democracia, em síntese, é isso. Porém discordo completamente que essa mesma política seja responsável por homéricas discussões estúpidas e demais malefícios ao nosso convívio. E aí você vai dizer que não é discutir, é expressar o seu ponto de vista, certo? E aí, caro leitor, eu vou dizer para você o seguinte: ponto de vista não é sinônimo de verdade absoluta. É bonito, poético e emblemático que tantas pessoas se dediquem a uma causa, seja ela qual for, contudo, é menos bonito, poético e emblemático a possibilidade do meu ponto de vista ser amplamente diferente do seu? Sim, deixei outro questionamento pra você refletir. De nada.

Óbvio que algumas coisas devem ser discutidas, desde aborto até discriminação racial, só que tais temas não são, necessariamente, atrelados à política. Ainda que apareçam casos alarmantes como, por exemplo, as recentes declarações do presidenciável Levy Fidelix, isto não quer dizer que as problemáticas da sociedade giram em torno dos políticos. Eles são, de fato, formadores de opinião, mas a coisa adotou proporções que ultrapassam as siglas partidárias, compreende? Não é culpa da Dilma ou do Aécio que o seu vizinho agride a esposa pela noite. Não é culpa do PT ou do PSDB que o termo macaco seja proferido aos negros como se fosse um bom dia. Não é culpa, e aí não é MESMO, de nenhum partido que você ainda não entenda que não somos reis e rainhas da razão, e sim súditos dedicados das dúvidas e questionamentos. Prova disso é que eu deixei uns dois soltos no texto pra reflexão e não tenho nenhuma verdade reconhecida em cartório para oferecer, não.

E, só pra lembrar: o voto deveria ser secreto. Então, no melhor dos mundos, cada um escolheria quem melhor lhe agradasse e pronto, fim de papo. Você não teria desperdiçado sei-lá-quantos caracteres no seu Facebook, desfeito sei-lá-quantas amizades e tido sei-lá-quantas dores de cabeça desde que o período eleitoral começou. Ao analisar o quão chato todo mundo se torna quando há eleições, consigo entender a razão pela qual a sua escolha nas urnas não deveria ser divulgada: única e exclusivamente pra você sobreviver a este período enlouquecedor.

Lembra da primeira “pulga” que coloquei atrás da sua orelha? Pois bem, voltemos à ela sob o seguinte mote: Reza a lenda – e também a vida real e fatos reais – que todo político é safado, não presta, não possui focos e propostas concretas e, portanto, seu objetivo-mor dentro da política é sugar o povo através de impostos e salários exorbitantes. Logo, se o canto da sereia  é esse, concorda que não é nem um pouco racional fundamentar 3 ou 4 meses da sua vida em ideologias políticas que nem mesmo você confia, nem mesmo você acredita? Outra vez, convido-o a parar, respirar fundo e pensar. Não, eu não quero verdades, eu quero que você reflita, pondere e avalie, porque se tem uma coisa na qual eu acredito surtir efeito em qualquer ser humano do planeta é a vasta exploração do cérebro. Divirta-se na busca pelas respostas que nunca teremos. Se quiser, faça até uma pipoca pra acompanhar o espetáculo que é descobrir-se um completo comedor de mosca que só reage e age, mas não produz.

E agora que o momento se aproxima, se afaste dessa ideia estapafúrdia de reclamar do raio da política, incluindo candidatos, partidos, causas e demais fundamentalismos ao mesmo tempo em que a executa nas suas redes sociais, com seus amigos, com sua família ou até na padaria. Afinal de contas, domingo você precisa votar e tanto faz se você quer ou não porque diferente da “lenda urbana do voto secreto”, votar é obrigatório e implica numa série de punições àqueles que não o fazem. Não é? E será que não é este o X da questão? Opa! Finalmente cheguei onde queria. E espero, não exijo, que você chegue também.

Em suma: mesmo que vote no Garotinho eu seguirei sua amiga, filha, colega, conhecida, flerte, vizinha etc. E prazeirosamente escrevendo pra você.

ADORO NATAL!

Sim! Tudo bem enfático porque esta época do ano é a menina dos meus olhos míopes. Por mim, teríamos Natal o ano inteiro, por mim, eu me chamaria Natal, por mim, tudo se justificaria através da sentença “Ah, mas é Natal!”.

Pronto. Passada a cota de efusividade, vamos à realidade.

Natal é sim meu feriado favorito. Não, não é pelos presentes, nem pela comida e tampouco (ok, aqui cabe uma ironia) pela bebida. Eu gosto do Natal porque ele é o meu álibi pra fazer algo que todos nós deveríamos fazer todos os dias do ano, o tempo inteiro. Algo que tornou-se tão escasso e raro na essência da sociedade simplesmente porque a moda ditada é considerar que nada tem salvação e o mundo por inteiro está fadado ao fracasso e ao caos. O Natal é meu bode expiatório para sermos AMÁVEIS.

Esqueça a balela dos pessimistas de que o Natal é a “farra do boi” dos falsos. Deixe disso, desprenda-se desses rótulos. Odeio rótulos. Não somos o que somos, somos o que queremos – e quando queremos. Hoje sou a Marcele fofa que vai escrever lindezas pró-Natal, amanhã posso ser a cri-cri da minha casa e nada disso importa tanto quanto o querer, nem mesmo o que presumem de você – ou tentam.

Mas voltemos ao Natal e o motivo do meu encantamento pela data.

Eu não quis dizer nestas poucas palavras que você deve sair Calçadão de Madureira afora abraçando todos os vendedores de cartões C&A ou a sua rua inteira – até mesmo os vizinhos que você odeia. Quis dizer que você pode e deve ser gentil e espalhar amor por aí SIM. As pessoas precisam disso, é um sentimento substancial e morremos dia após dia com essa falta de ternura e carinho, ainda mais com o discurso de ódio sendo inflacionado por qualquer motivo besta. Nos matamos por religião, por uma matéria de jornal, por um pó branco, por um chifre. Pergunto: é válido?

Tá certo que não sou um protótipo de criatura calma e pacífica tal qual um monge budista mas confesso que dei um upgrade na minha fofura de uns tempos pra cá porque não aguento mais esse mundo mau humorado e de cara feia – mas algumas coisas seguem me irritando consideravelmente e de muitas maneiras, claro.

A verdade é que o Natal me abastece de bons sentimentos e de boas vibrações. É no Natal que eu faço a minha reflexão interna – pois é, você não precisa expor suas considerações no Facebook, pasme – sobre o ano: que ganhei, o que perdi e o que sempre tive. E, apesar de tudo ultimamente apontar o inverso, pessoas são e serão o bem mais precioso que temos, portanto, nem que seja no Natal, nada mais justo do que dar a elas um pouco de você.

Dê um abraço, um “upa!”, um aperto de mão, uma piada, um beijo, um sorriso, uma lambida, um meme via WhatsApp, ou um bom dia. Ou dê cartões, ainda está em tempo e é vintage, já que ninguém mais liga pra eles. Eu, por exemplo, comprei uns 20 que vou distribuir entre amigos e colegas de trabalho até o final do ano (não tive tempo pra escrever todos, trabalho com o varejo, relevem). Acho que é o mínimo ter esse capricho com quem nos acompanha e faz questão, entre 7 bilhões e cacetada de seres humanos no planeta, da nossa amizade e presença. É um privilégio que alguém nos queira bem, penso eu.

Somos chatos, cansativos, reclamões, apressados, ansiosos, egoístas e mais um monte de coisas que bastariam para que cada um vivesse numa redoma de vidro. Contudo, não é assim que a temática da vida funciona. E ela é bem mais gostosa e agradável porque temos com quem compartilhá-la. Não é bonito? Ah, vai… Eu sei que você acha que é.

Não comprou nada pra ninguém? E quem aqui falou do capitalismo? Dar presente não é tarefa fácil, sei bem disso porque passei 2 horas dentro de uma loja semana passada só pra achar no estoque o item que queria sem um mísero arranhão. E passei feliz. Ok? E também não é a única opção de presente que você tem. Hoje em dia todo mundo é um poço de criatividade para uma série de coisas e situações, menos pra agradar alguém. Qualquer coisa serve, até mesmo o nada. Já pararam pra pensar nisso? Eu já.

Então, meus caros leitores, façam de hoje e amanhã o seu álibi para que seus familiares, amigos e demais transeuntes de seu convívio saibam que você valoriza muito a escolha deles. Mas faça do seu jeito, viu? Quem gosta MESMO da gente percebe e aprecia de forma ímpar quando damos um pouco – ou muito, ou médio – de nós a eles.

Natal é legal À BEÇA!
Feliz Natal, queridos! <3

Washington Olivetto, Jorge Ben e a transcendência da publicidade brasileira.

Eu não sou lá muito velha mas lembro com muito carinho das músicas que costumava ouvir quando criança. Uma delas é especial porque, ainda que eu não soubesse ao certo o que sua letra queria dizer, ela prenunciava o meu amor pela publicidade e posterior admiração pelo aniversariante do dia, o brilhante Washington Olivetto. A música da qual falo é “W/Brasil”: para muitos, uma composição sem pé nem cabeça, para outros, um hit, para mim, uma escola.

Ao contrário de relatos que apontam a canção como celebração do consumo de drogas nos anos 90,  ela foi concebida por mero e feliz acaso quando Jorge Ben se apresentava na festa de final de ano da agência de publicidade W/Brasil e entoou um “Alô, alô W/Brasil” pro extasiado público da noite. No pós-show regado a muito papo com seu amigo e até então sócio da agência, Washington Olivetto, veio a inspiração final para transformar aquela espécie de grito de guerra em uma composição cheia de incógnitas, ou não.

“W/Brasil” é uma música de 1990 que só veio a despontar nas rádios nacionais entre 1992 e 1993. Ela representa o que eu chamo de alavanca cultural num período onde a preocupação geral da nação era sobreviver ao caos social imposto pela corrupção escancarada e inflação crudelíssima. Sua ascensão trouxe ao cenário musical da época um novo frescor, uma brasilidade que estava um tanto quanto adormecida em meio a tantos problemas e tentativas da indústria de, cada vez mais, ser mais USA e menos Brasil.

Mas é bem verdade que os maiores beneficiários do sucesso de “W/Brasil” foram Washington Olivetto e a publicidade brasileira. Se o cachorrinho da Cofap e o comercial sobre o primeiro sutiã abriram olhos e mente do mercado publicitário para o celeiro de criativos e profissionais excepcionais que a propaganda brasileira produziria, a canção foi o “cartão de visitas” perfeito para o que estávamos por apresentar ao mundo em termos de competência e autenticidade no mercado publicitário, surtindo exatamente o mesmo efeito que toda boa propaganda surte no consumidor: curiosidade, emoção, impacto.

E, tal qual um rito de passagem, “W/Brasil” fez a publicidade nacional transcender e gerar no brasileiro o interesse sobre o universo anunciante e do anunciante. Washington Olivetto, o “W” da canção, é um dos publicitários mais renomados do mundo e contribuiu efetivamente para que a nossa propaganda se fizesse notar para além do território tupiniquim. Ironicamente, ele que deu o tom para que a publicidade made in Brazil  seja referência mundo afora.

É encantador que o desdobrar da pluralidade na comunicação e publicidade nacional tenha dado seus primeiros passos devidamente orquestrados pelo samba-rock inconfundível do atemporal Jorge Ben Jor e conduzido por um dos caras mais apreciados e reconhecidos enquanto profissional do ramo, entretanto, reconheço que nem todo mundo veja lá tanta beleza e poesia nesses detalhes que tornam o que amamos fazer algo tão especial. O casamento entre a publicidade e a música é uma referência como muitos outros? Claro. Para poucos? Sem dúvida.

No mais, peço desculpas sinceras ao Jorge Ben: hoje, um “SALVE, OLIVETTO” se faz necessário.

Pero na vitrola digital segue “W/Brasil”, com louvor.

Nova MTV? Que seja, ela nunca mais será a mesma.

Definitivamente, não. Mas deixemos de lado o que virá para lembrar daquilo que vingou, perdurou e se eternizou em mais de 20 anos de MTV Brasil. Volte no tempo comigo, caro amigo. Vamos recordar daqueles sábados em que o Top 20 era religiosamente acompanhado por nossos ávidos olhos e abastecia os nossos ouvidos com todo e qualquer sucesso do momento; Vamos lembrar das inúmeras bandas que conquistaram nossa admiração única e exclusivamente graças a MTV, já que vivíamos num tempo em que You Tube era sonho, sonho vindouro; Vamos celebrar a memória felizmente fresca que nos traz à tona as paixonites pelos ídolos pop e rock assim como pelos VJs – e por estes a gente nutria um sentimento até peculiar: intimidade com alguém que não nos conhecia, porém conhecíamos bem; Vamos voltar para aquele confronto direto com a língua inglesa, espanhola, italiana e francesa. Aquele arranca-rabo cheio de IAAARRRRRNUOOOUUU entre o português e a sua vontade de cantar junto com quem quer que fosse (ou vai falar que seu inglês intermediário você deve ao cursinho de inglês ou só ao “Friends” sem legenda?);

Vamos pensar que a Fernanda Lima apresentava o “Fica Comigo” e era impossível não se imaginar ali, de costas pra um gatinho ou gatinha, ouvindo sua música favorita e correndo para um “happy ending” em rede nacional; Vamos reconhecer que DVD e You Tube não são NA-DA perto da emoção sublime de marcar o dia e horário daquele programa especial da MTV gringa sobre o seu artista favorito – no meu caso, Aerosmith, Backstreet Boys e Pearl Jam – para gravar na primeira fita que tivesse na sua estante (ainda que a dita cuja seja a VHS da formatura do seu irmão no jardim de infância); Vamos falar sobre o quanto era gostoso largar tudo e todos para se ligar no Disk MTV e ficar naquele frisson pra saber qual foi o clipe mais votado no dia; Vamos refletir sobre a inveja (branca, claro) que tínhamos das VJs que eram (quase) todas lindas, gostosas e maravilhosas e usavam as roupas mais descoladas que você nunca achava pra comprar em canto algum; Vamos suspirar pelo tanto de gatos que a MTV pariu e hoje sambam na cara da sociedade – Marcos Mion, André Vasco, Edgar e por aí vai suspiro platônico;

Vamos aplaudir, preferencialmente de pé, os maravilhosos acústicos e demais registros musicais que foram gravados sob o guarda-chuva MTV Brasil e que quebraram uma barreira entre o estúdio de televisão e a loja de CDs. Vamos lembrar do Caê mitando no VMB e mandando a “emêtêvê botar sá porra pá funcionar” (sendo que nem ele funciona lá muito bem, combinemos); Vamos lembrar do PIORES CLIPES DO MUNDO, que dispensa comentários uma vez que tenha criado em nós a cultura do jogo dos sete erros nos clipes e desde então ninguém deixa passar mais um mísero erro de continuidade; Vamos reconhecer que os artistas de hoje nada seriam sem um pouquinho de know how do que foi a MTV aqui no país; Vamos pra puta que pariu com Hermes e Renato e Gil Brother; Vamos louvar o Comédia MTV e a onda que trouxe Adnet, Tatá Werneck, Paulinho Serra, Calabresa, Rabin e Bento Ribeiro pra televisão;

Vamos agradecer pelos clipes e bandas undergrounds no Brasil que conhecemos graças a MTV e sem ela ficaríamos no É o Tchan e Latino; Vamos nos envergonhar pelas horas que ficávamos na frente da televisão para decorar, quase sempre sem sucesso, os passinhos nos clipes dos ídolos pop (quer dizer, se envergonhar coisa nenhuma porque eu tenho um baita orgulho disso e sei todos os passos até hoje); Vamos nos indignar porque nunca, JAMAIS entenderemos os comerciais macabros e subliminares da emissora e isso é pior do que alguém dizer: “tenho que te contar uma parada depois”;

Então… Vamos, gente? Que tal se parássemos de dizer o que deu errado para celebrar o que funcionou? O que vocês me dizem? Não parece uma boa ideia agora que a emissora passará por uma mudança drástica que deixará para trás 80% do que fazia parte da identidade da MTV no Brasil? Vamos usar a tal da nostalgia para agradecer a este canal por tantos anos de aprendizado e cultura. Sim, MUITA cultura. De dentro pra fora e de fora pra dentro a MTV era um poço de conhecimento que despejava nos jovens das décadas de 80, 90 e dos anos 2000 um bocado de informação com ares de descontração e puro entretenimento. MTV, escola da cultura jovem. Hoje, tenho um diploma invisível de Crítica Musical e de Gestão de Cultura Pop que devo a ela. E mais outros diplomas do mesmo tipo em Rockeragem, Análise de Introduções Musicais e Memorizadora de Artistas e Bandas. Sério: quem não tem, amigo? Quem não tem?

Sentada em frente a televisão e curtindo as últimas transmissões no antigo formato, assim que estou. Agora, o clipe do Dee Lite – Groove Is In The Heart, colore 55 polegadas na minha frente. E este é o momento que escolhi para externar a perda de uma professora, um ícone. Fim de um tempo, de um referencial. Não é exagero, é a despedida. Um tipo de gratidão e reflexão sobre o tanto de MTV que há em mim. O tanto de MTV que há aqui, ali, em qualquer lugar que eu vá. E se você não percebeu, até então, ainda há de notar. Notar que há.

Obrigada, MTV. E agradeço a todos que fizeram de você a menina dos olhos desta menina que acena, relutante: adeus, até breve.

Pronta pra outra, mas se não é a mesma, que importa?

Fô..lego.

De vez em quando ele some, não? Cansa, eu sei que viver cansa. E não falo daquela vida estilo comercial de margarina, falo da vida corrida, preocupante, angustiante. Vida que cisma em resolver quase tudo por conta própria. Vida que não liga tanto assim para nossas vontades, apenas para o que é viável. Chicotear-nos, para esta senhora da qual falo, é passatempo.
Dói, eu sei que dói: você quer abraçar o mundo com as pernas enquanto este mesmo mundo não quer ser abraçado. Ou, em alguns casos, não pode sê-lo. Problemas, soluções, borracha, página virada: é querer tudo ao mesmo tempo. E pouco importa se há tantos paradoxos. Mas é bom tentar, buscar, desejar. Você é homem. Homem quer tudo. Quer até o que não interessa.
Tirar uma expectativa da cabeça é fácil? Nunca. Só que a força de vontade é combustível, não meio de transporte. O que realmente transporta você e o que almeja direto ao destino que melhor cabe é a ação. Novidade? Não deveria ser. Porém, atente: faça, construa, transforme e mantenha o que é bom. Máquinas são funcionais, não passionais. E ninguém quer a mecânica como cúmplice.
Quando você conserva positividades, agrega valores para si mesmo sem precisar obter isto através dos outros. Não busque em alguém o que provém de você. Ame, ame muito, tanto e mais. Amar e ser amado revigora, conforta, dá gosto, liberta. Só não acredite que amor é a solução para tudo. Não é. Nunca foi. E talvez este seja o maior presente que um bem-querer pode oferecer-te: independência.
Quando o outro permite que você viva e que viva para os dois, é sinal de que o amor faz jus àquilo que significa, não ao que se espera dele, popularmente e erroneamente falando. Esteja junto, perto ou longe. Saiba dedicar-se à alguém tanto quanto a si. Olhe, sem medo, para a verdade que existe entre um sentimento: aquela pessoa não quer uma base, ela quer uma mão, um abraço, um beijo, um alívio, algumas poucas e boas palavras que a deixarão mais leve e capaz de lidar com qualquer demônio. Nem pais deveriam ser considerados como base, se quer saber. Você nasceu para viver, para voar, e se ainda não pode planar e alcançar o céu, bata as asas que já é um bom começo.

Até porque, lembra do fô…lego? Pois bem, ele é feito para impulsionar-te e alavancar-te rumo à independência. Sem fôlego você não bate asas, tampouco voa. Aprenda como é conviver consigo mesmo e assim serás mais feliz. Ou, pelo menos, mais amado.

Texto de 21/11/2011.

Steve (fucking) Jobs.

Apesar de previsível, não deixa de impactar: Steve Jobs morreu. Vitória do câncer traiçoeiro e audacioso que ousou parar o cara mais proativo e visionário do nosso tempo. Tudo bem que ele venceu, mas o legado ficou e isso o maldito câncer não há de apagar. Não há mesmo.
Geek ou não, rocker ou não, poeta ou não, antiquado ou não, é certo que hoje você reconhece sem o menor esforço a revolução interativa e tecnológica que este americano calvo mobilizou ao tirar a Apple do limbo comercial e jogá-la no mais alto patamar empresarial. Não beira a classificação de milagre mas é, no mínimo, encantador revolucionar usando apenas  o cérebro.

Ideias, ideais, ideologias: tudo num pacote só e cabendo na palma da sua mão. Tempos atrás isso seria cena de storyboard  para “The Jetsons”, aquele desenho que brincava com nosso futuro e apresentava uma realidade tecnológica que era feita de naves, esteiras, robôs e por aí vai. Graças ao Jobs, agora sentimos que uma pequena parcela daquela ficção divertida já faz parte das nossas vidas. A evolução nos sorri. De leve, mas sorri.

Esqueça a marca, pense na genialidade: design, praticidade, inovação. Vai me dizer que dentro de você não há certo orgulho por ter feito parte de um tempo em que foi possível acompanhar uma mente criativa, perspicaz e astuta, MUITO astuta? Duvido muito. Se a vida em si não permitiu que você fizesse parte dos mesmos anos em que gigantes intelectuais e geniais como Albert Einstein, Galileu Galilei, Pasteur e Darwin faziam a festa e enchiam o mundo de conhecimento e sabedoria, hoje essa mesma vida oferece para você a honra, eu disse honra por viver no mesmo tempo em que viveu Steve Jobs. Um cara como nós que, sem truques, milagres, feitiçarias, peripécias ou “circos”, conseguiu notoriedade usando como ferramenta algo que todos nós temos, mas usamos pouco: cérebro.

Muitas são as lições que podemos tirar por meio da história de Steve Jobs. Contudo, nenhuma delas é tão forte quanto a de que, em dados momentos, é necessário ousar para fazer valer o sangue que corre por nossas veias. Existir, apenas, é pouco. Arrisque, faça, construa, renove e, principalmente, dedique-se. Não importa se a dedicação é direcionada a algo ou alguém mas, de verdade, dedique-se. É só assim que nós percebemos o quanto somos capazes de contribuir efetivamente para que qualquer coisa importante seja um sucesso, seja intensa, seja eterna.

E não encare a situação como se “apenas mais um americano prepotente e podre de rico sucumbiu ao câncer” e vá além, tal qual o próprio Jobs. Reflita, pondere, pense, aja. Hoje é dia de resgatar aquela ideia que você considerava sem fundamento mas que, com dedicação, pode mudar seus rumos. Seja justo com você mesmo, encare os fatos como eles são: perdemos um gênio que, de tão humano, deixou para mais de seis bilhões de terráqueos a oportunidade de usufruir de uma tecnologia formidável, não fazendo questão de guardar nem um pouco sequer de tal genialidade para si.  Nem um pouco.

Sendo assim, esteja certo de que a evolução tecnológica deu as caras e ela atende por Steve Jobs que, em 05 de outubro de 2011, eternizou-se em meio a um universo cheio de estrelas… e vazio de gênios.