Solidão em troca de política? Dispenso.

É sempre assim: chega o período eleitoral e junto com ele aquela vontade absurda de convencer todas as pessoas do mundo a pensarem como você. Ou, pelo menos, a entenderem suas escolhas. Não é um tanto quanto pretensioso demais? Bom, me parece que sim. E não digo isso pela questão partidária da coisa e menos ainda por apreciar o já famoso “ficar em cima do muro”, digo pelo simples fato de que perdemos tempo, energias e até o bom humor numa dessas. Amizades são desfeitas, opiniões são desrespeitadas. E tudo isso por causa de política? E tudo isso pra que a sua ideia do que é correto prevaleça? Pare, respire fundo e pense: Será que você sabe mesmo o que faz sentido na política? Será que medir amizades pelo pensamento político do seu coleguinha é coerente com aquilo que o tal do “ser amigo” deve significar?

Pois é, enquanto você pensa aí eu seguirei com meu texto. Ok?

Eu concordo em gênero, número e grau que política é um tema recorrente e de extrema relevância na nossa sociedade, viver em democracia, em síntese, é isso. Porém discordo completamente que essa mesma política seja responsável por homéricas discussões estúpidas e demais malefícios ao nosso convívio. E aí você vai dizer que não é discutir, é expressar o seu ponto de vista, certo? E aí, caro leitor, eu vou dizer para você o seguinte: ponto de vista não é sinônimo de verdade absoluta. É bonito, poético e emblemático que tantas pessoas se dediquem a uma causa, seja ela qual for, contudo, é menos bonito, poético e emblemático a possibilidade do meu ponto de vista ser amplamente diferente do seu? Sim, deixei outro questionamento pra você refletir. De nada.

Óbvio que algumas coisas devem ser discutidas, desde aborto até discriminação racial, só que tais temas não são, necessariamente, atrelados à política. Ainda que apareçam casos alarmantes como, por exemplo, as recentes declarações do presidenciável Levy Fidelix, isto não quer dizer que as problemáticas da sociedade giram em torno dos políticos. Eles são, de fato, formadores de opinião, mas a coisa adotou proporções que ultrapassam as siglas partidárias, compreende? Não é culpa da Dilma ou do Aécio que o seu vizinho agride a esposa pela noite. Não é culpa do PT ou do PSDB que o termo macaco seja proferido aos negros como se fosse um bom dia. Não é culpa, e aí não é MESMO, de nenhum partido que você ainda não entenda que não somos reis e rainhas da razão, e sim súditos dedicados das dúvidas e questionamentos. Prova disso é que eu deixei uns dois soltos no texto pra reflexão e não tenho nenhuma verdade reconhecida em cartório para oferecer, não.

E, só pra lembrar: o voto deveria ser secreto. Então, no melhor dos mundos, cada um escolheria quem melhor lhe agradasse e pronto, fim de papo. Você não teria desperdiçado sei-lá-quantos caracteres no seu Facebook, desfeito sei-lá-quantas amizades e tido sei-lá-quantas dores de cabeça desde que o período eleitoral começou. Ao analisar o quão chato todo mundo se torna quando há eleições, consigo entender a razão pela qual a sua escolha nas urnas não deveria ser divulgada: única e exclusivamente pra você sobreviver a este período enlouquecedor.

Lembra da primeira “pulga” que coloquei atrás da sua orelha? Pois bem, voltemos à ela sob o seguinte mote: Reza a lenda – e também a vida real e fatos reais – que todo político é safado, não presta, não possui focos e propostas concretas e, portanto, seu objetivo-mor dentro da política é sugar o povo através de impostos e salários exorbitantes. Logo, se o canto da sereia  é esse, concorda que não é nem um pouco racional fundamentar 3 ou 4 meses da sua vida em ideologias políticas que nem mesmo você confia, nem mesmo você acredita? Outra vez, convido-o a parar, respirar fundo e pensar. Não, eu não quero verdades, eu quero que você reflita, pondere e avalie, porque se tem uma coisa na qual eu acredito surtir efeito em qualquer ser humano do planeta é a vasta exploração do cérebro. Divirta-se na busca pelas respostas que nunca teremos. Se quiser, faça até uma pipoca pra acompanhar o espetáculo que é descobrir-se um completo comedor de mosca que só reage e age, mas não produz.

E agora que o momento se aproxima, se afaste dessa ideia estapafúrdia de reclamar do raio da política, incluindo candidatos, partidos, causas e demais fundamentalismos ao mesmo tempo em que a executa nas suas redes sociais, com seus amigos, com sua família ou até na padaria. Afinal de contas, domingo você precisa votar e tanto faz se você quer ou não porque diferente da “lenda urbana do voto secreto”, votar é obrigatório e implica numa série de punições àqueles que não o fazem. Não é? E será que não é este o X da questão? Opa! Finalmente cheguei onde queria. E espero, não exijo, que você chegue também.

Em suma: mesmo que vote no Garotinho eu seguirei sua amiga, filha, colega, conhecida, flerte, vizinha etc. E prazeirosamente escrevendo pra você.

Washington Olivetto, Jorge Ben e a transcendência da publicidade brasileira.

Eu não sou lá muito velha mas lembro com muito carinho das músicas que costumava ouvir quando criança. Uma delas é especial porque, ainda que eu não soubesse ao certo o que sua letra queria dizer, ela prenunciava o meu amor pela publicidade e posterior admiração pelo aniversariante do dia, o brilhante Washington Olivetto. A música da qual falo é “W/Brasil”: para muitos, uma composição sem pé nem cabeça, para outros, um hit, para mim, uma escola.

Ao contrário de relatos que apontam a canção como celebração do consumo de drogas nos anos 90,  ela foi concebida por mero e feliz acaso quando Jorge Ben se apresentava na festa de final de ano da agência de publicidade W/Brasil e entoou um “Alô, alô W/Brasil” pro extasiado público da noite. No pós-show regado a muito papo com seu amigo e até então sócio da agência, Washington Olivetto, veio a inspiração final para transformar aquela espécie de grito de guerra em uma composição cheia de incógnitas, ou não.

“W/Brasil” é uma música de 1990 que só veio a despontar nas rádios nacionais entre 1992 e 1993. Ela representa o que eu chamo de alavanca cultural num período onde a preocupação geral da nação era sobreviver ao caos social imposto pela corrupção escancarada e inflação crudelíssima. Sua ascensão trouxe ao cenário musical da época um novo frescor, uma brasilidade que estava um tanto quanto adormecida em meio a tantos problemas e tentativas da indústria de, cada vez mais, ser mais USA e menos Brasil.

Mas é bem verdade que os maiores beneficiários do sucesso de “W/Brasil” foram Washington Olivetto e a publicidade brasileira. Se o cachorrinho da Cofap e o comercial sobre o primeiro sutiã abriram olhos e mente do mercado publicitário para o celeiro de criativos e profissionais excepcionais que a propaganda brasileira produziria, a canção foi o “cartão de visitas” perfeito para o que estávamos por apresentar ao mundo em termos de competência e autenticidade no mercado publicitário, surtindo exatamente o mesmo efeito que toda boa propaganda surte no consumidor: curiosidade, emoção, impacto.

E, tal qual um rito de passagem, “W/Brasil” fez a publicidade nacional transcender e gerar no brasileiro o interesse sobre o universo anunciante e do anunciante. Washington Olivetto, o “W” da canção, é um dos publicitários mais renomados do mundo e contribuiu efetivamente para que a nossa propaganda se fizesse notar para além do território tupiniquim. Ironicamente, ele que deu o tom para que a publicidade made in Brazil  seja referência mundo afora.

É encantador que o desdobrar da pluralidade na comunicação e publicidade nacional tenha dado seus primeiros passos devidamente orquestrados pelo samba-rock inconfundível do atemporal Jorge Ben Jor e conduzido por um dos caras mais apreciados e reconhecidos enquanto profissional do ramo, entretanto, reconheço que nem todo mundo veja lá tanta beleza e poesia nesses detalhes que tornam o que amamos fazer algo tão especial. O casamento entre a publicidade e a música é uma referência como muitos outros? Claro. Para poucos? Sem dúvida.

No mais, peço desculpas sinceras ao Jorge Ben: hoje, um “SALVE, OLIVETTO” se faz necessário.

Pero na vitrola digital segue “W/Brasil”, com louvor.

Nova MTV? Que seja, ela nunca mais será a mesma.

Definitivamente, não. Mas deixemos de lado o que virá para lembrar daquilo que vingou, perdurou e se eternizou em mais de 20 anos de MTV Brasil. Volte no tempo comigo, caro amigo. Vamos recordar daqueles sábados em que o Top 20 era religiosamente acompanhado por nossos ávidos olhos e abastecia os nossos ouvidos com todo e qualquer sucesso do momento; Vamos lembrar das inúmeras bandas que conquistaram nossa admiração única e exclusivamente graças a MTV, já que vivíamos num tempo em que You Tube era sonho, sonho vindouro; Vamos celebrar a memória felizmente fresca que nos traz à tona as paixonites pelos ídolos pop e rock assim como pelos VJs – e por estes a gente nutria um sentimento até peculiar: intimidade com alguém que não nos conhecia, porém conhecíamos bem; Vamos voltar para aquele confronto direto com a língua inglesa, espanhola, italiana e francesa. Aquele arranca-rabo cheio de IAAARRRRRNUOOOUUU entre o português e a sua vontade de cantar junto com quem quer que fosse (ou vai falar que seu inglês intermediário você deve ao cursinho de inglês ou só ao “Friends” sem legenda?);

Vamos pensar que a Fernanda Lima apresentava o “Fica Comigo” e era impossível não se imaginar ali, de costas pra um gatinho ou gatinha, ouvindo sua música favorita e correndo para um “happy ending” em rede nacional; Vamos reconhecer que DVD e You Tube não são NA-DA perto da emoção sublime de marcar o dia e horário daquele programa especial da MTV gringa sobre o seu artista favorito – no meu caso, Aerosmith, Backstreet Boys e Pearl Jam – para gravar na primeira fita que tivesse na sua estante (ainda que a dita cuja seja a VHS da formatura do seu irmão no jardim de infância); Vamos falar sobre o quanto era gostoso largar tudo e todos para se ligar no Disk MTV e ficar naquele frisson pra saber qual foi o clipe mais votado no dia; Vamos refletir sobre a inveja (branca, claro) que tínhamos das VJs que eram (quase) todas lindas, gostosas e maravilhosas e usavam as roupas mais descoladas que você nunca achava pra comprar em canto algum; Vamos suspirar pelo tanto de gatos que a MTV pariu e hoje sambam na cara da sociedade – Marcos Mion, André Vasco, Edgar e por aí vai suspiro platônico;

Vamos aplaudir, preferencialmente de pé, os maravilhosos acústicos e demais registros musicais que foram gravados sob o guarda-chuva MTV Brasil e que quebraram uma barreira entre o estúdio de televisão e a loja de CDs. Vamos lembrar do Caê mitando no VMB e mandando a “emêtêvê botar sá porra pá funcionar” (sendo que nem ele funciona lá muito bem, combinemos); Vamos lembrar do PIORES CLIPES DO MUNDO, que dispensa comentários uma vez que tenha criado em nós a cultura do jogo dos sete erros nos clipes e desde então ninguém deixa passar mais um mísero erro de continuidade; Vamos reconhecer que os artistas de hoje nada seriam sem um pouquinho de know how do que foi a MTV aqui no país; Vamos pra puta que pariu com Hermes e Renato e Gil Brother; Vamos louvar o Comédia MTV e a onda que trouxe Adnet, Tatá Werneck, Paulinho Serra, Calabresa, Rabin e Bento Ribeiro pra televisão;

Vamos agradecer pelos clipes e bandas undergrounds no Brasil que conhecemos graças a MTV e sem ela ficaríamos no É o Tchan e Latino; Vamos nos envergonhar pelas horas que ficávamos na frente da televisão para decorar, quase sempre sem sucesso, os passinhos nos clipes dos ídolos pop (quer dizer, se envergonhar coisa nenhuma porque eu tenho um baita orgulho disso e sei todos os passos até hoje); Vamos nos indignar porque nunca, JAMAIS entenderemos os comerciais macabros e subliminares da emissora e isso é pior do que alguém dizer: “tenho que te contar uma parada depois”;

Então… Vamos, gente? Que tal se parássemos de dizer o que deu errado para celebrar o que funcionou? O que vocês me dizem? Não parece uma boa ideia agora que a emissora passará por uma mudança drástica que deixará para trás 80% do que fazia parte da identidade da MTV no Brasil? Vamos usar a tal da nostalgia para agradecer a este canal por tantos anos de aprendizado e cultura. Sim, MUITA cultura. De dentro pra fora e de fora pra dentro a MTV era um poço de conhecimento que despejava nos jovens das décadas de 80, 90 e dos anos 2000 um bocado de informação com ares de descontração e puro entretenimento. MTV, escola da cultura jovem. Hoje, tenho um diploma invisível de Crítica Musical e de Gestão de Cultura Pop que devo a ela. E mais outros diplomas do mesmo tipo em Rockeragem, Análise de Introduções Musicais e Memorizadora de Artistas e Bandas. Sério: quem não tem, amigo? Quem não tem?

Sentada em frente a televisão e curtindo as últimas transmissões no antigo formato, assim que estou. Agora, o clipe do Dee Lite – Groove Is In The Heart, colore 55 polegadas na minha frente. E este é o momento que escolhi para externar a perda de uma professora, um ícone. Fim de um tempo, de um referencial. Não é exagero, é a despedida. Um tipo de gratidão e reflexão sobre o tanto de MTV que há em mim. O tanto de MTV que há aqui, ali, em qualquer lugar que eu vá. E se você não percebeu, até então, ainda há de notar. Notar que há.

Obrigada, MTV. E agradeço a todos que fizeram de você a menina dos olhos desta menina que acena, relutante: adeus, até breve.

Pronta pra outra, mas se não é a mesma, que importa?

Fô..lego.

De vez em quando ele some, não? Cansa, eu sei que viver cansa. E não falo daquela vida estilo comercial de margarina, falo da vida corrida, preocupante, angustiante. Vida que cisma em resolver quase tudo por conta própria. Vida que não liga tanto assim para nossas vontades, apenas para o que é viável. Chicotear-nos, para esta senhora da qual falo, é passatempo.
Dói, eu sei que dói: você quer abraçar o mundo com as pernas enquanto este mesmo mundo não quer ser abraçado. Ou, em alguns casos, não pode sê-lo. Problemas, soluções, borracha, página virada: é querer tudo ao mesmo tempo. E pouco importa se há tantos paradoxos. Mas é bom tentar, buscar, desejar. Você é homem. Homem quer tudo. Quer até o que não interessa.
Tirar uma expectativa da cabeça é fácil? Nunca. Só que a força de vontade é combustível, não meio de transporte. O que realmente transporta você e o que almeja direto ao destino que melhor cabe é a ação. Novidade? Não deveria ser. Porém, atente: faça, construa, transforme e mantenha o que é bom. Máquinas são funcionais, não passionais. E ninguém quer a mecânica como cúmplice.
Quando você conserva positividades, agrega valores para si mesmo sem precisar obter isto através dos outros. Não busque em alguém o que provém de você. Ame, ame muito, tanto e mais. Amar e ser amado revigora, conforta, dá gosto, liberta. Só não acredite que amor é a solução para tudo. Não é. Nunca foi. E talvez este seja o maior presente que um bem-querer pode oferecer-te: independência.
Quando o outro permite que você viva e que viva para os dois, é sinal de que o amor faz jus àquilo que significa, não ao que se espera dele, popularmente e erroneamente falando. Esteja junto, perto ou longe. Saiba dedicar-se à alguém tanto quanto a si. Olhe, sem medo, para a verdade que existe entre um sentimento: aquela pessoa não quer uma base, ela quer uma mão, um abraço, um beijo, um alívio, algumas poucas e boas palavras que a deixarão mais leve e capaz de lidar com qualquer demônio. Nem pais deveriam ser considerados como base, se quer saber. Você nasceu para viver, para voar, e se ainda não pode planar e alcançar o céu, bata as asas que já é um bom começo.

Até porque, lembra do fô…lego? Pois bem, ele é feito para impulsionar-te e alavancar-te rumo à independência. Sem fôlego você não bate asas, tampouco voa. Aprenda como é conviver consigo mesmo e assim serás mais feliz. Ou, pelo menos, mais amado.

Texto de 21/11/2011.

Steve (fucking) Jobs.

Apesar de previsível, não deixa de impactar: Steve Jobs morreu. Vitória do câncer traiçoeiro e audacioso que ousou parar o cara mais proativo e visionário do nosso tempo. Tudo bem que ele venceu, mas o legado ficou e isso o maldito câncer não há de apagar. Não há mesmo.
Geek ou não, rocker ou não, poeta ou não, antiquado ou não, é certo que hoje você reconhece sem o menor esforço a revolução interativa e tecnológica que este americano calvo mobilizou ao tirar a Apple do limbo comercial e jogá-la no mais alto patamar empresarial. Não beira a classificação de milagre mas é, no mínimo, encantador revolucionar usando apenas  o cérebro.

Ideias, ideais, ideologias: tudo num pacote só e cabendo na palma da sua mão. Tempos atrás isso seria cena de storyboard  para “The Jetsons”, aquele desenho que brincava com nosso futuro e apresentava uma realidade tecnológica que era feita de naves, esteiras, robôs e por aí vai. Graças ao Jobs, agora sentimos que uma pequena parcela daquela ficção divertida já faz parte das nossas vidas. A evolução nos sorri. De leve, mas sorri.

Esqueça a marca, pense na genialidade: design, praticidade, inovação. Vai me dizer que dentro de você não há certo orgulho por ter feito parte de um tempo em que foi possível acompanhar uma mente criativa, perspicaz e astuta, MUITO astuta? Duvido muito. Se a vida em si não permitiu que você fizesse parte dos mesmos anos em que gigantes intelectuais e geniais como Albert Einstein, Galileu Galilei, Pasteur e Darwin faziam a festa e enchiam o mundo de conhecimento e sabedoria, hoje essa mesma vida oferece para você a honra, eu disse honra por viver no mesmo tempo em que viveu Steve Jobs. Um cara como nós que, sem truques, milagres, feitiçarias, peripécias ou “circos”, conseguiu notoriedade usando como ferramenta algo que todos nós temos, mas usamos pouco: cérebro.

Muitas são as lições que podemos tirar por meio da história de Steve Jobs. Contudo, nenhuma delas é tão forte quanto a de que, em dados momentos, é necessário ousar para fazer valer o sangue que corre por nossas veias. Existir, apenas, é pouco. Arrisque, faça, construa, renove e, principalmente, dedique-se. Não importa se a dedicação é direcionada a algo ou alguém mas, de verdade, dedique-se. É só assim que nós percebemos o quanto somos capazes de contribuir efetivamente para que qualquer coisa importante seja um sucesso, seja intensa, seja eterna.

E não encare a situação como se “apenas mais um americano prepotente e podre de rico sucumbiu ao câncer” e vá além, tal qual o próprio Jobs. Reflita, pondere, pense, aja. Hoje é dia de resgatar aquela ideia que você considerava sem fundamento mas que, com dedicação, pode mudar seus rumos. Seja justo com você mesmo, encare os fatos como eles são: perdemos um gênio que, de tão humano, deixou para mais de seis bilhões de terráqueos a oportunidade de usufruir de uma tecnologia formidável, não fazendo questão de guardar nem um pouco sequer de tal genialidade para si.  Nem um pouco.

Sendo assim, esteja certo de que a evolução tecnológica deu as caras e ela atende por Steve Jobs que, em 05 de outubro de 2011, eternizou-se em meio a um universo cheio de estrelas… e vazio de gênios.

Não foi o destino, não foi o acaso: foi você!

Não sei de qual buraco saiu esse papo de que a nossa vida é regida por coisas desconhecidas. De que cada passo que dou pelas ruas é meticulosamente prescrito. Ou que as pessoas agregadas à minha vida nada mais são do que peças de um quebra-cabeça que ninguém sabe se existe mesmo. Não sei e nem quero saber, antes que você tente me responder. Tudo porque é de emputecer qualquer terráqueo tal atribuição sobrenatural. Esta coisa que se responsabiliza por cada ação ao longo da minha existência. MINHA existência. Entonei propositalmente para que você, querido leitor, já tenha vaga noção sobre o que preciso bradar aqui.

É triste: o dinheiro não cai do céu, você precisa da comunicação social para viver bem, ninguém pode comer, falar, andar, peidar, cagar, trepar por você. Sim, você! É disto que falo. Você é responsável por tudo que atribui à própria vida. Conheceu o Joãozinho? Foi você! Conseguiu comprar aquele carro do comercial? Foi você! Entendeu que o uso da vírgula não deve ser um vício? Foi você! Mandou aquele chefe insuportável pra puta que o pariu e vai viver numa colônia hippie na França? Foi você! Não foi coisa do destino, não foi obra do acaso. Experimenta, uma única vez, ficar parado, estático, sem fazer absolutamente nada para ver se vai acontecer alguma coisa. Ouse não mover um único músculo e veja a sua vida ruir em tédio, monotonia e fracasso. É uma receita simples que vai levar a sua persona bem rápido para o lugar que eu quero que você chegue: ao esclarecimento.

Tudo que nos faz puxar ar dos pulmões e seguir em frente só é possível a partir do momento em que nós, e não uma espécie de força cultural, movemos o traseiro do sofá e rumamos para a festa, para o show, para o trabalho, para a o inferno, para o céu, para a cozinha, para a VIDA. Não é culpa do destino ou do acaso as notas boas que você obteve. Aquilo foi resultado do seu empenho, da sua dedicação, da sua inclinação e motivação a resolver tudo por si só. É justo dar mérito ao destino o seu 10,0 imponente? Ou então, é justo dizer que “foi sorte” obter tal resultado? Claro que não. E pior ainda é que este crédito dado aos tais elementos surgem antes, durante e depois da situação: enquanto você não pensa em estudar, alguém diz que “pode ser coisa do destino”. Quando você começa a pegar nos livros, outro camarada fala que “se for destino, você se dará bem”. E, quando seu boletim está mais azul que céu contrastado em Photoshop, você ouve que “tinha que passar porque era seu destino”… Ah, vá!

Não só é mais sensato como também mais compensador atribuir toda e qualquer positividade em sua vida a si mesmo. Você não é ponte, você é o caminho. E se você realmente quer fazer cada dia valer por acontecer, comece valorizando seus feitos sem precisar relacionar os mesmos a nada. Reconheça, sem medo, que é um desbravador em busca de novos lugares para ver, apreciar, cultivar, zelar. Olhe-se no espelho e veja o baita ser humano que é por permitir-se tirar o corpo da cama e ir à luta. Estagnar suas habilidades e se entregar a um sentimento que só vai fazer você “esperar coisas caírem do céu” me parece estupidez. É com o livre-arbítrio que você faz história, não com uma série de conhecimentos que sabe lá quem pode ter encontrado coerência neles.

Esqueça os termos destino e acaso.
Lembre-se de VOCÊ.

Como você vê?

Tornou-se um martírio fazer com que as pessoas olhem umas para as outras, no sentido amplo da palavra. Não é só passar o olho, ou fixar o olhar apenas porque quer beijar uma boca. É olhar, mesmo. Para fundo da alma. Tentar achar nos olhos de outro aquilo que completaria você, de certa forma. É buscar algum tipo de conforto em um olhar e entender que é a partir dele que muita coisa se explica para quem sabe ver. Bonito, não? Mas o mesmo se segue para o mundo em si. Falo de plantas, quadros, detalhes, roupas, animais… Enfim,  tudo aquilo que nos rodeia. Hoje, por exemplo, você vê um filme e o mesmo te dá sono. Não há mais sentido em apreciar todo o quadro, a cena. Você esquece da imagem, foca no enredo e, num piscar de olhos, aquele filme que poderia ter sido o melhor da sua vida é aquele que te fez pensar em carneirinhos.

Amigos, não façamos alarde com algo tão prático. Tudo depende da sua predisposição a mudar. Mudar o quê? O olhar, oras! Saiba apreciar tudo aquilo que seus olhos conseguem capturar. Diga-me: quantas pessoas você já olhou fundo nos olhos? E diga-me também quantas pessoas conseguiram olhar fundo nos seus olhos, ao ponto de fazer com que não esquecesse de tal gesto? Se você falar em “muitas”, estará mentindo. Tudo se resume a pressa para a sociedade e olhar para alguém do jeito que eu digo toma tempo: até parece que alguém vai deixar de assistir aquele futebol ou aquele programa de fofoca para ficar olhando para o outro. Pensamento errado, eu sei. Mas é o que você faz todos os dias.

A verdade é que, um dia, tudo vai embora.  A visão fica turva, o corpo não aprecia mais nada e o que resta são as memórias. Se você não olhou para tudo como deveria, vai lembrar de quê? Vai lembrar como? É válido recordar de tudo tal qual a vida fosse um flash?

Então, o conselho implícito neste post é: OLHE. Dedique aquele tempo para fazer qualquer porcaria a olhar melhor tudo que faz parte dos seus dias, desde as rugas da sua mãe até as rachaduras na sua parede; Desde as rodas do carro do vizinho até as unhas roídas da sua irmã; Já pensaram em quanta coisa poderia ser diferente caso nos dedicássemos melhor ao prazer que é observar, ver e mirar tudo que nos cerca? Seja um observador, um verdadeiro apreciador do mundo. Não esteja de passagem e faça dos seus olhos o seu melhor souvenir ao longo da vida.

Se não enxergamos hoje, o que saberemos amanhã?